terça-feira, 23 de agosto de 2016

Suplementação vs Alimentação

Ora bem, tal como tinha dito no último post, esta semana vou-me debruçar sobre a suplementação.
Queria já ter tratado do post no fim de semana, mas tenho-me debatido sobre por que ponta pegar neste tema, de maneira que vou optar por fazer uma análise mais superficial, e se tiverem dúvidas especificas, eu respondo-lhes individualmente.
De um modo geral todos os produtos de suplementação dizem algo como: " a toma deste produto não substitui a necessidade de um regime alimentar equilibrado". Isto porque o principal objetivo da suplementação é colmatar alguma lacuna na alimentação. Portanto, se não houver falhas,  suplementação é na sua quase totalidade, desnecessária. Proteína, bebidas isotónicas,  hidratos de carbono, mass gainers, são tudo produtos facilmente substituíveis. E é curioso que enquanto quando comecei a tomar suplementação, na altura em que praticava o atletismo, as pessoas com um shaker eram quase olhadas de lado no balneário, neste momento, no ginásio, a pessoa que não leva o seu recipiente com proteína, é que é estranhada e vista como uma entidade sobrenatural. Afinal de contas, que resultados é que se pode esperar se não se tomar proteína, e logo a seguir ao treino, certo? Nahh, errado. Tomar uma dose de proteína a seguir ao treino não tem mais efeito do que comer um bife de frango, e a questão da "janela anabólica", segundo a qual a toma tem de ser imediatamente aseguir ao treino já está mais que ultrapassada. Depois de um treino, a síntese muscular aumenta de modo exponencial nas 3h que se seguem ao exercicio, mas de um modo geral mantém-se aumentada até 24h.
 Mas não me entendam mal. Tomo proteína. E tomo logo a seguir ao treino porque é quando me sabe melhor. Não por acreditar que é aquilo que me vai produzir os ganhos que quero, mas porque simplesmente me sabe melhor do que comer um bife de frango ou uma posta de salmão. Tenho consciência que os resultados de um não são melhores do que do outro. E aliás, enquanto a suplementação normalmente contém só os macronutrientes que a caraterizam, os alimentos tendem a ser também ricos em micronutrientes como as vitaminas e sais minerais. Por isso não estou a dizer que não se tome, mas que haja a noção de que a alimentação correta é um método mais eficiente para alcançar os objetivos de performance a que nos propomos. E quem fala de proteína, hidratos em pó, que são substituíveis por arroz, massa, etc.
A questão torna-se então: estou a tomar proteína/hidratos/whatever, porque tenho essa necessidade fisiológica, ou porque simplesmente quero ser como o tipo do lado, e ele toma este ou aquele produto? Tem que haver algum espírito critico e perceber até que ponto é ou não preciso. Se houver bolso para sustentar, força. Mas se não houver, se calhar é desnecessário com uma semana de ginásio/corrida, já estarmos a querer comprar um pote de xpto em vez de investir numa mensalidade num ginásio com boas condições ou nuns bons ténis.



Dito isto, também há suplementação que procura complementar compostos particularmente difíceis de ser ingeridos através só da alimentação. Falo por exemplo no caso da corrida do Ferro. Devido á exigência da atividade, a anemia é muitas das vezes característica de atletas que não tenham em atenção todos os cuidados que deviam em relação à alimentação. No caso do ginásio por exemplo, ocorrem-me dois casos muito óbvios e que dão 10-0 à toma de proteínas, e disto ou daquilo. Tanto a toma de óleos gordos (fígado de bacalhau por exemplo) como a creatina.
O primeiro vai permitir a redução do processo inflamatório e aumento da "viscosidade" nas articulações, o que é tanto mais importante, consoante maior o stress que impingimos com os pesos utilizados. A creatina normalmente é vista como um produto que se limita a aumentar o volume por retenção de água. Mas se virmos a composição celular do corpo humano, nomeadamente dos músculos, chegamos à conclusão que grande parte da mesma é... água. Ou seja, os processos fisiológicos só se dão com o máximo da sua eficácia, se houver água suficiente. Só isto promove a regeneração muscular e a produção de energia, principalmente para esforços explosivos neste caso. No entanto, tem o revés de propiciar a ocorrência de problemas hepáticos em pessoas que não aumentem a ingestão hídrica.

Para terminar, há suplementação cujo objetivo é mesmo dar um "boost". Aumentar a frequência cardíaca e o foco no treino, bem como estimular o Sistema Nervoso, normalmente são designados de pre-workouts. Honestamente, estes ultrapassam-me. É claro que nem todos os dias estamos com a mesma disposição de treinar, mas acho que isso é ultrapassável. é uma questão de mentalidade e motivação. Se vemos que estamos um pouco mais "moles", tomar um café (tendo em conta que a cafeína é o principal ingrediente dos pre-workouts), faz perfeitamente o trabalho. Como disse no inicio, não condeno nem julgo quem usa... mas parece-me o mais desnecessário das 3 categorias que aqui apresentei.


Portanto, em jeito de conclusão, se tivesse de apostar apenas num suplemento, seria naqueles que me dão algo que não posso obter da alimentação. Se não estiver particularmente restringido, claro que há maior comodidade e é mais agradável misturar água com um pó e obter os macronutrientes que possa ter em falta, e não há nada de errado nisso.

Se tiverem alguma dúvida sobre um tipo especifico de suplementação, digam, que terei todo o gosto em responder!
Até para a semana!