domingo, 31 de julho de 2016

Treinar-se ou ser treinado... eis a questão!

Pois bem, quarto post do blog, e desta vez será não tanto informativo sobre questões fisiológicas, musculares, princípios de treino, etc., mas sim sobre as vantagens e desvantagens de sermos ou não treinadores de nós mesmos.
No seguimento do post do Vítor Oliveira (http://www.aquelequegostadecorrer.com/2016/07/que-venha-nova-epoca.html), devem já saber que este ano vou estar encarregue de delinear os planos de treino dele. Do mesmo modo que antes de se "auto-treinar", o Vítor teve um treinador (na altura fazíamos parte do mesmo grupo de treino), também eu passei já a época passada a ter a experiência de passar o ano passado a acompanhar um outro nosso colega, daí não ir ser a tal experiência nova para ambos, mas ir certamente ser um desafio: para mim como treinador porque vou ter "nas mãos" um atleta que neste momento é dos mais competitivos nas provas de pelotão, como para ele que vai ter de adaptar algo drasticamente os seus métodos de treino.


A "prova do crime"
p.s. Ele ganhou-me :'(
Ora bem, como começou a "colaboração"? é engraçado que foi algo espontâneo e bastante bilateral. Se bem me recordo, num jantar com o Vítor e o outro atleta que treinei o ano passado e este ano vou voltar a orientar (Miguel Heitor, o "Vicente" mais conhecido por essas corridas fora), o Vítor disse-me :" Epah, se calhar para o ano havias era de me fazer uns planos para mim"; e eu respondi que me parecia bem e que até já tinha comentado com o Miguel que gostava de ter a oportunidade de o orientar, por isso decidimos levar a experiência para a frente, vamos ver como corre (literalmente)!

Mas passando então ao tema principal: é melhor sermos nós a definir o treino, ou ser definido por outrem?
Não há uma resposta definitiva e antes que possa criar algum tipo de confusão a questão dos adjectivos utilizados, eu NÃO tenho curso de treinador (apesar de me ver a tirá-lo no futuro), mas se quiserem saber porque penso ter algum conhecimento e capacidade para ajudar quem assim quiser, basta lerem o primeiro post do blog.

Há treinadores e treinadores, mas de um modo geral, as vantagens de se ser treinado são:
A mera possibilidade de alguém ser mais informado sobre o assunto do que nós;
Não somos nós que desenhamos os planos (obviamente) e isto retira grande parte do stress emocional e subjectividade da delineação do programa: quando nos treinamos e queremos atingir uma determinada meta, muitas vezes dispômo-nos a fazer todos os necessário para melhorar e corremos o risco de incorrer num plano de constante sobrecarga e progressivo overtraining ;
Evita a acomodação e promove estruturação :quantos de nós ao treinar só por nós não saíram já para correr e alteraram a intensidade ou tempo de treino durante o mesmo, por falta de vontade, ou por cansaço, ou por qualquer outra razão? Provavelmente quase todos. O facto de termos um treino já delineado e programado consoante objectivos específicos, não só vai tornar o processo de treino mais eficiente, como vai à partida motivar mais o atleta.

No entanto, nem tudo são rosas:
Inespecificidade: maioria dos treinadores não tem um só atleta. E nem todos têm a disponibilidade mental para adaptar cada treino ao atleta e aos seus objectivos, acabando por "receitar" o mesmo para todos, na esperança de que para algum há de servir. Neste aspecto, treinarmo-nos a nós mesmos dá-nos conhecimento de como o nosso corpo reage aos diferentes tipos de treino e esforço, tornando-se vantajoso;
Close-minded: O atleta que se treina, tende a ser mais receptivo a experimentar diferentes metodologias, o que pode ser benéfico desde que acabe por se manter posteriormente fiel a uma delas; no entanto muitos dos treinadores podem ser demasiado agarrado ás suas ideias e não ter disponibilidade para as modificar.
Complexo de Deus: Não, neste caso a culpa não é tanto do treinador mas sim do atleta. Aquele que encara o que o treinador diz como escrito em pedra e não é capaz de alterar um milímetro daquilo que lhe foi dito. Em última análise, é sempre o atleta que conhece as suas capacidades, o que o treinador tenta fazer é guiá-lo para que este possa alcançar o pleno das suas possibilidades. E se o atleta não perceber que é possível esporadicamente ter necessidade de fazer algum tipo de pequeno ajuste ou alteração, só se vai prejudicar.

Os 3 do costume
Portanto, resumindo e concluindo: Fica ao vosso critério. O meu e do Vítor foi este ano vemos o que conseguimos fazer em conjunto, as conclusões vão-se retirar mais para a frente!

Não se esqueçam de que se quiserem ver algum tema em particular aqui discutido ou tiverem sugestões a fazer, força! E até para a semana :)